Sendo certo que o Concerto para Violino e Orquestra foi concluído por Luís de Freitas Branco em 1916, informação inserida pelo próprio compositor no manuscrito original, não é de todo possível saber a data do manuscrito da redução para piano, embora este tenha sem dúvida sido escrito pela mão do compositor. Algumas divergências muito relevantes entre ambas as fontes, tanto entre a parte de orquestra e a versão para piano, como na própria parte de solista (veja-se por exemplo as passagens apresentadas em “ossia”), não permitem esclarecer maior ou menor veracidade, ou legitimidade.
A dispersão temporal de oportunidades de execução da obra e a possível intervenção dos diferentes intérpretes junto do próprio compositor, podem ser uma explicação possível para a inconsistência de alguns detalhes importantes. Embora a obra tenha sido dedicada ao violinista Júlio Cardona, desconhece-se que o próprio a tenha interpretado em público e, nos 50 anos posteriores à sua composição, apenas se conhece uma audição parcial em 1921 com o solista René Bohet, a possível estreia integral em 1940 com Francisco Benetó, além das interpretações de Silva Pereira em 1947 e Antonino David em 1956 (In Delgado, Alexandre; Telles, Ana; Mendes, Nuno Bettencourt (2007): Luís de Freitas Branco. Lisboa: Caminho, pp. 281-288).
A verticalidade da escrita do compositor, por exemplo em relação às dinâmicas, pode significar desequilíbrios evidentes no contexto de uma orquestra moderna, mas a presente edição/revisão optou por priorizar a autenticidade do texto musical do compositor.
Pelo facto de o manuscrito original apresentar anomalias flagrantes e aproveitando o paralelismo com as vozes de violoncelo e contrabaixo e a sua respetiva função harmónica, a parte de Tímpanos do terceiro andamento foi quase totalmente re-escrita na presente edição/revisão.
Bruno Borralhinho
Dresden, Julho de 2022

10 Technical Etudes for Euphonium Op. 94b
Berceuse
Trilogia das Barcas de Gil Vicente 












