Contemporary Works for Accordion – CD

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Descrição
Label: calanda music

Paulo Jorge Ferreira – accordion

 

1-8 Suite Nº1 Imagens de Pac-Chen (2002), Paulo Jorge Ferreira

1-     Viagem para Pac-Chen

2-     A comunidade  Maia

3-     Passeio na canoa

4-     Na floresta

5-     Descida ao Cenote

6-     Slide

7-     Intermezzo

8-     Regresso

9 Jabberwocky (1995), Jesper Koch

10-11 Sonata (1978), Arkady Borisovich Tomchin

1.     Lento

2.     Allegro

12 Densus (2011), Paulo Jorge Ferreira

13 Scytbians of the XXth Century (1982), Alexander Pushkarenko

 

“Este CD tem como intuito, contribuir também, para a proliferação do acordeão no mercado profissional da música, dando a conhecer cada vez mais um instrumento com estupendas capacidades, capaz de atrair um público cada vez mais exigente, que procura inovação e não se conforma com monotonia.” Paulo Jorge Ferreira

 

A ideia base em relação à conceção deste registo discográfico, assentou na divulgação de repertório original para acordeão, uma premissa que tem pautado o meu trajeto profissional enquanto acordeonista. Para tal, optei por compositores com perspetivas musicais bastante distintas, incluindo a minha própria música, o que naturalmente conduziu à criação de um disco que aborda obras de correntes estéticas contrastantes. Pode-se referir que na seleção do respetivo repertório, foi tido em conta a escolha de obras que utilizam uma ampla gama de recursos técnicos do instrumento, proporcionando ao ouvinte a escuta de sonoridades e ambientes musicais menos prováveis vindos do acordeão.
As minhas peças “Suite nº1 Imagens de Pac-chen” e “Densus” constituem a primeira gravação mundial em disco, enquanto que as restantes obras do álbum, algumas de referência do repertório acordeonístico, são um dos poucos registos fonográficos existentes.
O privilégio que tenho tido, ao longo dos anos, em conviver assiduamente com músicos, maestros, compositores de grande qualidade, que olham para o acordeão com enorme apreço, é sem dúvida, uma motivação extra para continuar este caminho de afirmação do instrumento.
Este CD tem como intuito, contribuir também, para a proliferação do acordeão no mercado profissional da música, dando a conhecer cada vez mais um instrumento com estupendas capacidades, capaz de atrair um público cada vez mais exigente, que procura inovação e não se conforma com monotonia.

Paulo Jorge Ferreira

 

Teresa Cascudo

A integração do acordeão no âmbito da música clássica data de pouco mais de um século. Deveu-se, em parte, à casa Hohner, fábrica alemã, que deu um impulso notável ao ensino do instrumento e à composição de música especificamente para ele destinada.

Costuma considerar-se que as Sete novas peças, escritas em 1927 por Hugo Herrmann, protegido de Paul Hindemith, inauguraram o moderno repertório acordeonístico. A história organológica do acordeão explica esta incorporação tardia. Embora tenham existido ao longo da história diversos instrumentos aerófones de palheta, antecedentes, portanto, do acordeão, um instrumento com o nome Akordion só foi patenteado em 1829, em Viena, por um construtor de origem arménia. Era um instrumento de acompanhamento, fácil de tocar, pelo que teve um sucesso imediato. Foi tornando-se um instrumento cada vez mais complexo: a sua evolução deteve-se em 1959, quando uma nova solução técnica permitiu a alternância entre os dois tipos de baixos.

Da mesma forma que os pianistas compositores marcaram durante décadas o caminho para a exploração da sonoridade própria do piano para a criação musical, acordeonistas-compositores como o próprio Paulo Jorge Ferreira têm toda a responsabilidade na ampliação do repertório do acordeão. A sua primeira suite para acordeão, incluída nesta gravação, explora a capacidade técnica do intérprete, testada em muitos momentos. Especialmente nos andamentos 1º, 4º e 8º, existem passagens de execução técnica bastante exigentes, em que se utilizam alguns efeitos técnicos e sonoros típicos da técnica acordeonística, como o bellows shake, ricochete, clustergliss ou percussão. Paulo Jorge Ferreira relembra nesta peça a sua lua de mel na vila Maia de Pac-Chen, um projeto de ecoturismo que combina o respeito pela tradição e os costumes com o cuidado da natureza, no ambiente paradisíaco. da Península de Yucatan, no México. Relata, através do uso virtuoso dos diversos sons do instrumento, a chegada a Pac-Chen, o contato fascinante com os descendentes dos Maias que ainda ali moram e os momentos mais destacados da visita. A propósito de Densus, de 2011, o compositor enfatiza o seu caráter essencialmente lírico e o facto do seu título se dever ao tipo de textura sonora “densa” trabalhada. Tal como foi concebida por Paulo Jorge Ferreira, no seu duplo papel de intérprete e compositor, é uma peça essencialmente descritiva. O discurso musical apresentado em cada mão deve ser tocado de forma transparente. Está dividido em quatro secções principais, mas é comum a toda a partitura a sua atmosfera calma e meditativa e a predominância de uma gama de intensidades ao redor do piano. Por isso, o domínio do acordeão nos diferentes níveis de som é muito importante.

Jesper Koch não é acordeonista, mas o seu atracção pelo instrumento aparece em mais de uma peça do seu catálogo. Jabberwocky é uma delas. O título refere-se a um poema incluído por Lewis Caroll em Alice Through the Looking Glass, em que o escritor usa palavras de sua invenção, dando-lhes significados loucos, para a narrar a morte de um monstro fantástico chamado Jabberwock. No resultado de sua peça, Koch transfere para sua partitura a intenção humorística presente no poema de Caroll. Como o sentido de humor é um dos aspetos fundamentais desta peça, Paulo Jorge Ferreira, cuida, na sua interpretação, de lhe dar a abordagem estilística adequada, de modo a transmitir o seu caráter, por assim dizer, caprichoso. Deve-se notar que o domínio da estrutura das suas peças, juntamente com um extraordinário talento para contar histórias através da composição, são dois aspectos do estilo de Koch apreciados nos círculos da música contemporânea em que ele se move, especialmente nos países do norte da Europa.

Este CD também contém duas peças de compositores de origem russa. Arkady Borisovich Tomchin nasceu em 10 de abril de 1947 na cidade de São Petersburgo (então, Leningrado), onde obteve a sua formação musical. Ativo como membro da União dos Compositores Russos desde 1970, é autor de um vasto catálogo de obras para várias combinações instrumentais e também para coros e vozes solistas. Dedicou a Sonata para acordeão, de 1978, ao virtuoso Oleg Sharov, cujo nome constitui uma referência mundial em termos de ensino e interpretação de repertório para o instrumento. É dividida em dois andamentos, nos quais, usando a técnica do tema com variações, são exploradas diferentes texturas puramente acordeonísticas. Apresenta várias passagens de intenso virtuosismo e aborda efeitos sonoros interessantes. Em particular, o segundo movimento começa de uma forma brilhante, com duas páginas de execução em bellows shake, o que constitui um enorme desafio para qualquer acordeonista. Scythians of the XXth Century, de Aleksander Pushkarenko, é, ao contrário, uma obra bastante popular entre os instrumentistas.

Pushkarenko, nascido em 1952 na Ucrânia, estudou no Conservatório de São Petersburgo, onde se formou na especialidade do “bayan”, um tipo de acordeão cromático que teve um desenvolvimento específico na Rússia no início do século XX. Peça regularmente tocada em concursos de acordeão, Scythians of the XXth Century carateriza-se pela sua energia contagiante. O título misterioso da peça refere-se aos domadores de cavalos míticos e guerreiros sanguinários da estepe, os citas. O seu caráter guerreiro é traduzido musicalmente numa escrita quase sempre virtuosística: como nos mostra Paulo Jorge Ferreira nesta gravação, destreza e agilidade são requisitos indispensáveis para uma boa performance desta obra.

Informação adicional
Autor

Alexander Pushkarenko

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